A insatisfação necessária

O autor Mário Quintana diz que ” A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal…

Quando se vê, já terminou o ano…”

Durante a vida fazemos planos, criamos metas e, no entanto, quando tudo é alcançado já desejamos outra coisa e aquele que era o objetivo último, volta para o início da fila porque o objetivo final agora tornou-se outro.

A vida é movimento e é somente a meta o que nos move: é a beleza daquilo que prevemos a frente que nos enche de energia para chegar até lá, imaginar o resultado de uma obra é que nos põe em ação para realiza-la.

Dizem que é caminhando que se faz o caminho: buscamos por felicidade, amor, realização, prosperidade, tempo- queremos que sexta feira chegue logo, reclamamos porque já é domingo!

A ideia plena de felicidade, paz, ou realização, no entanto é ampla e subjetiva porque tem um nuance diferente para cada pessoa e a torna inalcançável. Por não ter um fim, é justamente a dinâmica do alcançar o inalcançável que nos põe na atividade necessária ao curso da vida, onde aquilo que muitas vezes alcançamos são pedacinhos daquilo que tínhamos como objeto final.

Em outras palavras, “ser feliz” ou “ter paz ” pode ser um estado que experimentamos dentro do processo que é justamente o caminhar em busca da “paz ” e da “felicidade”, de fato parece que a vida se passa enquanto pensamos em como podemos vive-la.

Se por um lado perdemos a oportunidade de contemplar as experiências do caminho porque pensamos na chegada, traçar o destino e recalcular a rota é necessário.

 

É sabido que o animal satisfeito, dorme.  O homem satisfeito, adoece ou já morreu.

A insatisfação faz-se necessária a dinâmica, eis a beleza da movimentação que mantém a vida!

 

(Ana Carolina de Pinho Manzi)