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January, 2016

Síndrome do ninho vazio e Deméter: imagens de pais nos quartos desocupados de seus filhos.

Síndrome do ninho vazio é aquela fase em que os filhos saem de casa e quando a mãe, que cuidou e nutriu seus bebês fica sem saber o que fazer com a ausência deles.

São por muitos motivos para a saída dos filhos de casa, faculdade, casamento, quando vão para outro país, ou mesmo quando vão simplesmente morar sozinhos. A questão é que os pais, mas principalmente a mãe, por que é dela que vamos falar mais, perdem um relacionamento importantíssimo. A mãe foi figura maternal e além da perda da pessoa e do relacionamento, falamos também da perda de seu papel de mãe; papel este que lhe deu sentido de poder, importância e significado para sua vida.

As mulheres que mais sofrem com o ninho vazio são as visitadas pela deusa Deméter. Esta deusa é a do cereal, da colheita, da mãe. Sua vida faz muito mais sentido e é preenchida quando exerce o papel de cuidadora e nutridora, se sente feliz por estar grávida, gerar filhos e cuidar deles. Muitas vezes esse arquétipo constela em outras áreas, no trabalho, por exemplo, quando escolhe profissões ligadas a assistência, ajudar pessoas a estarem bem e a crescerem. Isso traz muita satisfação para esta deusa.

Mães sofrem muito com a ida de seus filhos para longe. Acostumadas a estar com eles, vê-los todos os dias, cuidar deles, se preocupar, saber onde estão. Muitas delas desejam um filho desde quando podem lembrar-se, ninando bonecas, sendo “mamãezinha”. A ausência desta figura que ela depositou tanta expectativa, tanto apoio, tanto amor, pode causar nela um quadro depressivo.

Quando o arquétipo da deusa Deméter chega ao seu extremo, a mãe torna-se deprimida, incapaz de agir, tudo parece triste e improdutivo. O mundo fica sem significado. Reagem de forma agitada ou apática, em ambos os casos expressa sua mágoa, pois uma fonte de significado vital foi afastada.

Um estudo muito interessante conduzido pela fotógrafa Dona Schwartz, nos retrata como ficam a casa dos pais depois que os filhos partem. Na realidade como ficam os quatros destes últimos, quando não estão mais ocupando-os. Dona reparou que ao contrário da preparação que existe para a chegada de um bebê, os pais não preparam a saída.

“Em algumas das casas, as pessoas não precisam do espaço do quarto e, por isso, simplesmente o deixam fechado e intacto. Em outras, onde o espaço faz falta, há um dilema entre aproveitá-lo ou deixá-lo guardando memórias. Já a resposta emocional de cada pai é muito variada – desde os pais que sentem algum alívio e liberdade, aos que sofrem com a partida.” (Viegas, 2014)

Algumas das fotos:

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Pam e Bill, 2 meses da partida de seu filho

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Amy e Andy, 2 anos

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Kathy e Lyonel, 8 meses

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Chris e Susan, 7 meses

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Lollie e Alan, 3 meses

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Jean, 2 anos

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Gloria e Alan, 5 anos

             A mulher tipo Deméter que sofreu a independência de seu filho, pode se tornar angustiada e deprimida. A perda de algo de valor se reflete em uma vida vazia e monótona. Como acontece em cada mitologia divina, é possível uma mudar se “acomodar” nesta fase e viver a depressão por muito tempo, mas é possível também mudar para outro padrão de mito e desenvolver-se. Algumas destas mulheres nunca se recuperam, mantendo suas vidas amargas e improdutivas.

A recuperação deste estado depressivo é possível e o crescimento o acompanha. O tempo passa. Essa mãe começa a reparar que o céu é azul, ou é tocada de compaixão por alguém, ou retoma uma atividade há muito tempo perdida. Descobre que existe energia.

A mulher volta para ela própria, cheia de vitalidade e generosidade, reunindo aquele aspecto de si mesma que estava esquecido. Emerge ai uma nova pessoa, após o período de sofrimento nasce uma mulher com maior sabedora e compreensão espiritual. Aprende que pode viver através do que quer que aconteça, sabendo que após o inverno vem a primavera e que a experiência humana e o amadurecimento seguem certos padrões.

 

Referência:

Bolen, J. S. As Deusas e a Mulher: nova psicologia das mulheres. São Paulo: Paulus, 1990.

http://www.hypeness.com.br/2014/02/sindrome-do-ninho-vazio-serie-fotografica-mostra-pais-nos-quartos-dos-filhos-que-sairam-de-casa/

A psicoterapia e o cuidado com a Alma.

 

Na mitologia grega, o sábio curador e professor Quíron é parte cavalo e parte humano, um centauro de linhagem, porém muito diferente de seus irmãos meio cavalo/meio humano selvagens e bem pouco civilizados. Ele exerceu a arte de curar e ensinar em uma caverna.

Como terapeuta, às vezes penso em mim como parte animal, sentado em minha caverna lidando com aspectos principais da existência humana, muito pouco capaz de diferenciar a cura do ensino.

O terapeuta moderno parece achar que os problemas vão até ele ou ela como desvios do padrão de normalidade e de saúde. A questão premente é recuperar uma pessoa até um ponto em que os sintomas presentes sejam removidos, como se por uma cirurgia psicológica.

Não vejo dessa forma.

As pessoas vêm até mim porque, no fundo, elas não conseguem sentir a alegria de ser quem são. Não sentem o lado positivo da vida. Elas se sentem presas em um padrão repetido que parece recuar na história. Muitas vezes estão focadas em, ou melhor, fascinadas por um sintoma como a obsessão ou paranoia ou ansiedade. De modo geral, é a natureza da vida seguir, como um rio, e não ficar presa ou parada.

Sempre que quero seguir uma linha em meu trabalho como psicoterapeuta, volto a pensar na palavra “Psicoterapia”

Ela é feita de dois termos gregos importantes: psique (alma) e terapia (tratar).

“Psicoterapia” significa “tratar a alma.” Psique não é mente ou comportamento e terapia não significa cura nem melhora. Sempre tenho em mente que meu trabalho é tratar a alma ou cuidar dela. Quando usei uma frase antiga, comum na literatura platônica, como o título de meu livro mais popular, Care of the Soul (Cuidado da Alma), simplesmente coloquei a palavra “psicoterapia” em inglês.

Penso na alma como a vida em nós que é imensuravelmente profunda.

Às vezes, é como se fosse uma primavera ou a fonte da existência, que nos faz sentir vivos e nos dá algo como uma direção e identidade. Até certo ponto, é autônoma, tendo seus próprios objetivos, desejos e intenções.

Ao analisar de forma mais profunda, você encontra temas e padrões humanos básicos, o que Platão e Jung, além de outros, chamam de “arquétipos.”

A necessidade de amor, o desejo de criar, o conforto do lar, a excitação de uma viagem – essas não são as características de uma pessoa particular. Elas são, no mínimo, possivelmente maneiras pelas quais todas as pessoas podem sentir a vida.

Quando esses padrões de arquétipos entram na vida de uma pessoa, geralmente possuem uma grande força e fascínio.

Você está feliz por estar apaixonado e não pensa em outra coisa. Você tem medo de ficar doente e da morte e, essa emoção, com seus pensamentos arraigados, dá a você sustentação. Você vislumbra certa carreira e corre atrás com paixão.

A alma é íntima, cheia de vida, vitalidade e energia. Parece querer constantemente mais vida e vitalidade e, portanto, pode ser uma ameaça para o status quo.

Quando você cuida de sua alma, pode tentar sentir o que precisa e deseja e pode descobrir que suas necessidades podem não combinar com seus próprios desejos. Nesse espírito, o poeta irlandês W. B. Yeats disse que sua poesia surgiu de uma tensão entre suas próprias ideias e aquelas de um eu contraditório que sentia dentro dele.

Vejo que, esse outro ser em nós, a alma, é mais vasto que aquilo que nossas pequenas mentes podem conter.

É forte e misterioso e, às vezes, um adversário real. Nosso trabalho é tentar conhecer a alma e cooperar com ela, entender que nossa felicidade e paz no coração dependem de uma resposta positiva e criativa a ela. A psicoterapia poderá simplesmente implicar em viver de uma maneira condizente com a alma e seus propósitos.

A alma oferece um sentido profundo e poderoso de identidade que contraria qualquer tendência a ser captada nas compreensões e valores limitados da família ou da cultura. Pede que cada um de nós nos tornemos indivíduos não tão identificados com as estruturas que nos cercam.

Essa necessidade é tão forte que a imagino no cenário familiar do renascimento: nascemos em uma vida e cultura biológicas e, então, temos que nascer novamente em nossa própria individualidade e exclusividade.

Juntamente com Sócrates, descreverei a psicoterapia como um tipo de maiêutica ou de obstetrícia. Temos que auxiliar no nascimento da alma para a vida, o que implica na chegada de uma única pessoa.

Sócrates disse: “Minha preocupação não é com o corpo, mas com a alma que está no fruto do nascimento” (Theatetus, 150 b).

 

FRUTO DO NASCIMENTO

O fruto do nascimento é exatamente o que acontece na terapia, em menor ou maior grau.

O fruto significa trabalho, mas eu o vejo mais como um processo.

Na terapia formal, você reflete de modo aberto e sério sobre o passado, sonhos, dificuldades emocionais, relacionamentos e alguns outros problemas, o material de uma vida, e os processa. Quando os olha de forma profunda e imaginativa, enxerga melhor o que deseja que nasça e o que impede o nascimento.

Para muitas pessoas, traumas precoces, problemas parentais influências infelizes de adultos e determinações ameaçadoras mantêm uma impressão duradoura e impedem o movimento da alma para a vida.

Anos atrás, li a descrição inquietante do estudioso de religião Mircea Eliade de um rito primitivo de passagem e isso ficou em mim. Pessoas jovens seriam colocadas na terra, nuas, talvez sobre um monte de folhas, durante toda a noite ou por vários dias, dentro de um contexto ritual de máscaras, tambores, pintura do corpo e dança. Então, elas eram retiradas, lavadas, vestidas, adultas agora e parte integral da comunidade.

Vejo a terapia ao longo dessas linhas.

Nascer em sua individualidade não é uma questão simples. Você precisa de uma experiência impressionante de morte e nascimento. Grande parte do tempo, um círculo real e transformador da terapia é um processo em passo a passo para renascer.

O terapeuta é o idoso responsável pelo ritual, mas ele ou ela é apenas o guia, não o curandeiro.

O ponto é organizar um renascimento efetivo, deixando a pessoa prosseguir para descobrir a vida. O terapeuta não decide que vida é melhor para a pessoa, se deve ser mais dependente ou independente, emocionalmente contido ou efusivo, se deve casar com uma pessoa diferente ou viver em outro lugar. O terapeuta não sabe o que é melhor para a pessoa, ele ou ela pode apenas auxiliar no nascimento da alma.

Acima de tudo, o terapeuta precisa de pureza da intenção, ter a capacidade de ouvir histórias de sofrimento sem responder de forma inconsciente aos próprios preconceitos.

Um terapeuta deve conhecer a si mesmo tão bem que passará adiante qualquer tentativa de envolver-se nas próprias reações comuns. Ele não assumirá o crédito por qualquer progresso e, na verdade, não pensará em função do progresso, mas somente no cuidado. O cuidado não é heroico, não chega a qualquer lugar nem tem necessidade de solucionar problemas.

Um bom terapeuta não vê a vida como um problema a ser resolvido, mas como um dom a ser observado bem de perto e incentivado.

Um terapeuta não se enganará pelas desilusões de seu paciente. Ele não será tomado por quaisquer complexos informais no paciente que tentem ludibriar o terapeuta.

Se um paciente disser “Você não me deu muita atenção hoje”, um bom terapeuta não se defenderá nem dará explicações. Ele pode simplesmente dizer “Você está certo. Estou preocupado com minha própria situação hoje. Vamos começar de novo.”

Ele não sentirá a culpa que o paciente deseja que ele sinta nem aceitará qualquer adulação que o paciente possa mostrar no caminho. As duas são armadilhas. Ele é neutro, não deseja ser afastado de seu ponto central pela necessidade neurótica de um paciente. Face a uma influência sóbria e pesada, ele poderá encontrar a neutralidade na leveza do espírito e o bom humor.

Ele poderá simplesmente sorrir, mas nunca de modo irônico.

 

SUPERANDO NOSSOS COMPLEXOS

Um bom terapeuta supera sua necessidade de ajudar.

Embora seja verdade que fazer terapia é estar em terapia – o terapeuta pode trabalhar por meio de alguns de seus próprios problemas enquanto lida com outros -, o terapeuta também é neutro em relação ao trabalho de vida.

Ele não se abala quando um paciente não responde bem às ideias e esforços do terapeuta. Ele não precisa de um paciente para se sentir melhor ou para passar o processo terapêutico da forma que acha melhor. O terapeuta entrega-se ao entusiasmo de um animal de estimação, esperando que seu paciente se torne mais independente, artístico, autoconsciente ou emocionalmente expressivo.

Essa neutralidade não é indiferente, mas uma realização no próprio opus do terapeuta, o trabalho de sua alma. Ele não se leva pelos complexos em relação a seus pacientes, o significado mais profundo da interessante noção clássica de contratransferência.

Ele não é perfeito e não está representando com seus pacientes.

Ele possui um nível incomum de autocontrole. Consegue refletir efetivamente suas próprias fidelidades, filosofias, teorias, técnicas e ideais. Desenvolveu sua própria abordagem e não está completamente identificado com certa figura na psicologia ou com uma teoria especial.

Um terapeuta também deve saber como lidar com os complexos das pessoas que ele ajuda.

Jung descreveu um complexo como uma subpersonalidade. Eu colocaria isso de forma diferente: um complexo tem um rosto. Representar um complexo é como colocar uma fantasia, embora você não saiba que a colocou. Essas personagens da psique profunda que dominam uma pessoa, como Dr. Jekyll inundando Mr. Hyde, são excepcionalmente inteligentes, convincentes e cheias de sombras.

Uma pessoa com complexo de mãe pode impressioná-lo.  À primeira vista pode ser carinhosa, pensativa e capaz de uma emoção profunda. Somente depois você verá que essa imagem, essa possessão diabólica domina a pessoa e poderá sufocar e sobrepujar outras pessoas que entram em seu domínio. Uma mãe que é atrozmente crítica com a filha pode acreditar que está fazendo o que é melhor. Outros poderão dizer que a filha é sortuda por ter uma mãe maravilhosa assim e a filha mergulha em uma confusão dolorosa.

Ela deve ser grata ou deve fugir?

O terapeuta tem que lidar com cautela com o complexo que adentra seu consultório. Ele não deve se envolver, mas esse tipo de neutralidade não é fácil de ser alcançado. Ele pode estar especialmente suscetível a certos complexos e não os vê da forma como são.

O complexo não é a melhor palavra, talvez, mas é tradicional e importante.

Um complexo é mais como uma presença poderosa que pode assumir a coesão de uma personalidade, embora, às vezes, seja apenas um desejo ou um impulso. Pode oprimir completamente uma pessoa ou pode ser meramente uma influência. Em qualquer caso, um terapeuta precisa de coragem e circunspecção para lidar com um complexo, seja no paciente ou em si próprio.

As tradições religiosas ensinam tanto essas presenças quanto a psicologia e isso pode ajudar um terapeuta a realizar um estudo sobre as religiões e observar até mesmo o papel dele tanto na parte psicológica quanto espiritual.

A religião especializa-se em rituais que nos ajudam a encontrar os complexos de maneiras altamente simbólicas. Na confissão católica tradicional, por exemplo, você reconhece os espíritos sombrios que invadem sua vida e a confissão dessas presenças leva a uma longa estrada para lidar com eles.

Pessoalmente, cultivo os poderes da intuição, habilidade em trabalhar com imagens e o conhecimento de rituais e imagens espirituais tradicionais de modo que posso estar preparado para as imagens que as pessoas utilizam ao contar histórias de vida e relatar sonhos noturnos.

Tiro partido do modelo de C. G. Jung, que estava preocupado em ser um pensador e pesquisador inteligente e racional e, ao mesmo tempo, aplicar grande esforço para empregar métodos não racionais das tradições espirituais. Ele era artesão, calígrafo, pintor e arquiteto de sua própria maneira, fazendo com que o ambiente pessoal ficasse mais próximo de sua vida interior.

 

GUIA DAS ALMAS, LÍDER DOS RITUAIS

Meus mentores – Jung, James Hillman e Rafael Lopez-Pedraza – enfatizaram o papel do mitológico Hermes no trabalho da terapia.

Jung disse que o trabalho ou o opus inicia e termina em Mercúrio (o nome romano para Hermes).

Isso significa que, nesse trabalho, você dever ter imaginação, ser inteligente, perspicaz e hábil com a linguagem. Deve apreciar paradoxos e opostos aparentes. Deve ver o passado por meio de qualquer material apresentado e deve ir além da noção moderna do especialista bem educado e treinado. Precisa de uma apreciação profunda e investigativa para os meandros da psique e sua preparação deve ser tanto escolar quanto pessoal.

Possuo uma apreciação profunda pelo trabalho dos terapeutas e honro e apoio qualquer terapeuta que encontrar. Eles têm um papel importante na vida moderna, pois lidam com questões da alma e do espírito. De certa forma, são o sacerdote, sacerdotisa, guia moderno das almas e líderes do ritual. O trabalho deles é desafiador para todos devido à sua profundidade e ao mistério, mas é igual e precisamente recompensador, pois vai mais fundo.

Contudo, alguns terapeutas cometem um erro ao pensar na posição deles como aquela de uma pessoa treinada que dá conselhos ou ajuda a ajustar e uniformizar a vida. Alguns terapeutas cometem um erro ao verem a profissão como conselheiros profissionais ou orientadores para auxiliar em como levar uma vida tranquila.

Na verdade o trabalho deles é ter coragem suficiente para encarar os demônios de seus pacientes e lidar com os complicados mistérios da vida humana. Para realizar seu trabalho com eficiência, eles precisam conhecer profundamente a psicologia, a filosofia, o pensamento religioso sólido e a arte. Eles devem estar em casa com sonhos e fantasias extraordinárias. Devem ser capazes de ver através da agressão e do masoquismo para vislumbrar os mistérios positivos de tentar se expressar e viver.

Esse tipo de terapeuta pensa profundamente nos mistérios da personalidade humana e não os diminui até simples padrões.

Durante toda a vida e carreira, esse terapeuta continua a explorar questões complexas, valorizando quaisquer recursos que ajudem, e encara seus próprios complexos.

Ele sempre está no limite, como Hermes, entre o interno e o externo, o pessoal e o universal, a vida comum e a sagrada, e as superfícies e as profundezas.

É como uma xamã, capaz de atravessar níveis da realidade e da experiência. Ele se adapta à natureza misteriosa de seu trabalho ao fazer de si uma pessoa misteriosa, não muito fácil de ler e confortável em ser neutro face à paixão de outra pessoa.

O terapeuta Quíron trabalha em uma caverna, um local afastado do caminho normal de enxergar as coisas. Ele precisa muito do animal que há nele para sentir as muitas mensagens de seu paciente e que vêm de dentro dele. Ele deve assumir as dimensões míticas de um centauro, porque trabalhar com a alma também é demais para a mente humana.

O terapeuta deseja ser maior que a vida e quase que não um humano, uma pessoa de grande imaginação, capaz de reter quase toda manifestação de esforço humano.

Ele deve ser capaz de honrar a vida natural que flui de si e de seus clientes, e responder com eficiência aos grandes mistérios que apenas as melhores formas de arte e de religião foram capazes de compreender. Ele é uma pessoa capaz de conter as grandes alegrias e tristezas que visitam a vida de todos os humanos.

E tudo isso é uma pessoa comum, humilde no melhor sentido, apaixonado pela vida e capaz de amar aqueles que estão em perigo. É um chamado maravilhoso e uma graça para aqueles que aceitam.

 

Thomas Moore, PhD é o autor do famoso best-seller Care of the Soul e de outros quinze livros sobre aprofundamento da espiritualidade e cultivo da alma em todos os aspectos da vida. Ele é monge, músico, professor universitário e psicoterapeuta, e, atualmente, faz muitas palestras sobre a medicina holística, espiritualidade, psicoterapia e artes.

 

Disponível em: http://academiadopsicologo.com.br/portal/a-psicoterapia-e-o-cuidado-com-a-alma/?utm_source=FacePE-Art&utm_medium=facebook&utm_campaign=ConteudoGratuito