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Vamos falar sobre sonhos?

Para falar de sonhos precisamos entender, grosso modo, como se estrutura e como se dão algumas coisas.

Segundo C.G. Jung nossa mente é formada por aspectos conscientes e inconscientes.

O inconsciente corresponde para ele, a mais vasta parte da psique onde repousam nossos mais importantes conteúdos, na medida em que vivemos a realidade de nossas vidas e nos relacionamos com o mundo, pessoas e imagens. Trazemos com intermédio do nosso ego esses conteúdos para a consciência e podemos então explica-los como aquilo que identificamos como conceitos, afetos, sentimentos ou pensamentos, dentro de nosso sistema racional.

Se o inconsciente fosse o fundo do mar, o ego seria a rede, e os conteúdos de que tomamos consciência, o que pescamos com auxílio da rede e trazemos para a superfície e só depois com a luz do sol, definimos se se trata de um peixe, um marisco ou uma alga de acordo com o nosso conhecimento.

Os nossos sonhos são uma atividade natural do nosso inconsciente, é como a oportunidade momentânea de observar “os seres que habitam os mares do inconsciente” em seu habitat natural, mais distante das classificações racionais que nós damos a aquilo que pescamos em nossa rede e trazemos para a luz em nosso consciente.

Na maioria das vezes, se nos lembramos do sonho, no os entendemos ou procuramos dar as imagens de que nos lembramos, uma sequência racional que nos satisfaça, no entanto embora nunca seja claro, a realidade simbólica do inconsciente tem algo a comunicar.

Uma imagem ou palavra é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado manifesto ou imediato. Essa palavra ou imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo, que nunca é precisamente definido ou inteiramente explicado. Quando a mente explora um símbolo conduzida a ideias que estão pelo menos de início, fora do alcance da nossa razão.

Nesse sentido, os sonhos não podem ser entendidos apenas como a “realização de desejos reprimidos” e sim como a possibilidade de expressão de um vasto mundo simbólico onde pode-se observar recordações, fantasias, afetos, experiências, crenças, (também) desejos e outras coisas.

Os sonhos podem ser entendidos como expressões importantes dentro do dialogo entre aspectos conscientes e inconscientes que mantem em movimento nossa vida psíquica.  É desse dialogo que resultam os símbolos que trazem consigo as ideias e as energias de que precisamos para reorganizar aspectos em desequilíbrio.

Sempre que necessidades especificas de cada um de nós são negligenciadas, surgem os sonhos que organizam ou nos dão pistas para organizar nosso mundo interno pois a psique funciona como um sistema auto-regulador.

Por esse motivo, depois de uma noite de sono muita coisa pode ser diferente: o problema do dia anterior já não parece tão grande, o que não tinha jeito achou solução e o que você ia fazer de um jeito, acaba fazendo de outro!

Um sonho não é como um filme, um texto ou uma peça de teatro, o sonho é uma coisa viva: é como uma janela aberta para outra parte de nós. Uma parte que as vezes traz ou pode trazer contribuições importantes para quem somos conscientemente.

 

Por:

Ana Carolina de Pinho Manzi

Psicóloga

CRP 06/91189