Receita de Ano Novo

É o começo do ano que normalmente esperamos para fazermos as promessas, as reflexões e os votos para novas mudanças e novos desafios. “Esse ano eu começo a academia!”, “esse ano eu faço regime!”, “esse eu vou ser mais paciente!”. As esperanças se renovam e o novo ganha um brilho especial.

Já parou para pensar em quanta coisa deixamos de fazer ou quantas vontades tolhemos esperando o momento ideal? Ah, quanto tempo desperdiçado! As pequenas sementes do vir-a-ser quem germina somos nós, e a qualquer época. Elas moram dentro de nós e apenas esperam nosso lavrador interno jogá-las em terreno fértil.

Quem faz o ano ser realmente novo é você. Os réveillons sempre acontecerão, mas somos nós mesmos que tomamos nossa vida na mão e a guiamos para lá ou para cá. São as suas resoluções que fazem aquele ser o início de uma etapa novinha em folha ou então a continuação da caminhada, pelo mesmo terreno ou por outro. É sua escolha.

Drummond, através de sua poesia, cadencia os versos para explicar para o coração aquilo que venho tentando dizer:

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Feliz 2017!

 

Por:

Ana Terra Degelo Lorenzon

CRP 06/108084